O Conselho Aty Guasu, o Aty Guasu das Mulheres e o Aty Guasu de Jovens, em parceria com a Imagem da Vida, promoveram, durante os dias 20 e 21 de junho, a viagem de um grupo de 24 adolescentes, jovens, lideranças e rezadores Guarani Kaiowá, que se reuniram com representantes do poder público em Brasilia, a fim de denunciar violações contra os seus direitos no estado do Mato Grosso do Sul.

 “A gente quer que o nosso direito seja respeitado. As lideranças que tinham sonhos já estão mortas, mas os jovens vão continuar levantando o que eles [líderes indígenas] plantaram”, diz Jhonn Nara Gomes (16), da aldeia Guaiviri.

A delegação, composta também por lideranças do Aty Gyasu Guarani Kaiowá como Eliseu Lopes, Dionísio Gonçalves, Celso Alziro e Leila Rocha, participou de audiências com o Ministério dos Direitos Humanos, os Embaixadores da União Europeia, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o Supremo Tribunal Federal e a ONU. O objetivo foi sensibilizar autoridades do poder público para a situação em que se encontram as crianças e adolescentes Guarani Kaiowá, e firmar um termo de compromisso por parte do poder público federal e de entidades internacionais.

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“Nós precisamos somar nossas vozes às vozes Guarani Kaiowá que denunciam a violência e a negação de direitos aos povos indígenas no Brasil, sobretudo neste momento aqui registrado, à comunidade Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul”, declarou a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) durante audiência da delegação Guarani Kaiowá com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. “As comunidades indígenas defendem tão somente o que está escrito na lei, mas a lei maior pra elas não vale? Não vale a vida de um indígena como a vida de alguém de qualquer outra etnia?”

Entre os encaminhamentos resultantes da audiência com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, destaca-se o acompanhamento das investigações do massacre de crianças e lideranças Guarani e Kaiowá, no ano passado, em Caarapó (MS); o subsídio, investimento e proteção aos defensores dos Direitos Humanos que atuam no Mato Grosso do Sul; e a solicitação de informações ao governo do estado do MS sobre a negligência e violência cometida contra os povos indígenas no serviço de saúde no estado.

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Em encontro com a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia, nesta quinta-feira (22), a delegação reivindicou a demarcação e a homologação de suas terras. “Vou tentar ajudar para que a esperança de vocês não morra, o Judiciário está cada vez mais atento a essa realidade”, afirmou a Ministra.

“Pedíamos 10% do que era o nosso território. Agora, estamos querendo apenas 0,2% dessa área para nossa sobrevivência. Não queremos vender a mãe-terra.” declarou a liderança do Aty Guasu Guarani Kaiowá, Eliseu Lopes. “É uma vergonha o Brasil ser conhecido no exterior como um país que mata seus índios.”

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Nas audiências, a delegação apresentou também as demandas prioritárias debatidas no Encontro Geral de Crianças e Adolescentes Guarani Kaiowá, que aconteceu na aldeia de Tey’ikue, em novembro de 2016, e reuniu cerca de 300 jovens e atores sociais locais das regiões de Dourados, Amambai, Paranhos, Japorã e Antônio João, no Mato Grosso do Sul.

A ação é fruto da parceria entre a organização Imagem da Vida e o Aty Guasu. É viabilizada por meio do projeto Direitos e Cidadania de Crianças e Adolescentes Guarani Kaiowá, realizado com o apoio Secretaria dos Direitos Humanos da presidência da República.

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